Moçambique em Dívida com Tropas Ruandesas – CDD Exige Transparência Total
Moçambique em Dívida com Tropas Ruandesas – CDD Exige Transparência Total
O mistério em torno da presença militar do Ruanda em Cabo Delgado acaba de ganhar novos contornos. Segundo uma recente publicação do Africa Intelligence, Moçambique está com dificuldades para pagar as tropas ruandesas destacadas no norte do país para combater o terrorismo, contrariando declarações anteriores dos presidentes Filipe Nyusi e Paul Kagame.
Desde o início da missão militar, a narrativa oficial dos dois estadistas tem sido a mesma: Ruanda não ganha nada com a intervenção, e os custos estariam a ser cobertos pelos contribuintes ruandeses. No entanto, essa explicação nunca convenceu a sociedade civil moçambicana, que sempre suspeitou da existência de um acordo secreto entre os dois países.
Agora, com a revelação de atrasos nos pagamentos, reacende-se o debate sobre a transparência da cooperação entre Kigali e Maputo. O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) considera “de extrema urgência” a divulgação integral do acordo assinado entre os dois governos.
> “Os moçambicanos têm o direito de saber o que foi negociado em seu nome e qual o verdadeiro custo desta intervenção militar”, defende o CDD em comunicado.
A nova informação alimenta o sentimento de desconfiança numa altura em que a estabilidade em Cabo Delgado continua frágil, e a presença das forças estrangeiras é vista como essencial para conter o avanço de grupos armados.
📌 Contexto As tropas ruandesas chegaram a Moçambique em 2021, numa resposta rápida ao apelo do então Presidente Filipe Nyusi, após o agravamento da crise de segurança na província de Cabo Delgado. Desde então, têm sido apontadas como cruciais na recuperação de áreas antes dominadas por insurgentes.
Com esta nova revelação, cresce a pressão sobre o Governo moçambicano para esclarecer os termos da parceria e garantir que a soberania e os recursos do país não estão a ser comprometidos em negociações obscuras.

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